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quinta-feira, maio 25, 2006

O dia de uma fase zen implicante...


Um dia, só porque acordei com o humor bipolar maníaco e porque minha irmã é toda certinha, resolvi arrumar-me de forma elegante-excêntrica indiana.

Antes de ir para o banho, convidei-a para ir no shopping e pegar um cineminha. Era verão e coloquei um vestido indiano azul, um brinco indiano também azul, tornozeleira daquelas que as dançarinas usam e faz barulhinho quando se anda, um brinco em prata, na parte de cima da orelha, tipo piercing, uma argola no nariz e, para finalizar o jeito bem zen, um binje.

Quando cheguei na sala e disse um "estou pronta, vamos?", minha mãe riu e minha irmã só virou os olhos pra cima e falou um eu mereço! E lá se foi ela comigo para o shopping, de vez em quando me olhando e meneando a cabeça.
Como ela não reclamou do meu visual e o brinco tipo piercing me apertava muito a orelha, o binje me dava coceira e a argola do nariz estava incomodando, comecei a me "desfolhar" no escurinho do cinema.

Não sei por que lembrei desses episódios. Acho que porque pensei na mãe e na Vera, que riam muito do meu jeito arraza quarteirão, mas sabiam que o que eu fazia era só uma casca para tornar o mundo mais alegre e também me alegrar. Nessas fases, até criava alguma roupa, acessório diferente e no dia seguinte, via algumas adeptas fazendo o mesmo, na rua.
Eu inventava mil maneiras de me vestir. Criava moda. Qualquer pano ficava excêntrico e bonito - no meu modo de ver as coisas, pelo menos. E também fazia as coisas de um modo muito engraçado, que mesmo que elas dissessem " faz de conta que eu não te conheço", acho que gostavam quando eu aprontava e as fazia rir.

Da mesma forma, eu aprontava para alegrar suas vidas. Era uma espécie de troca. Eu ter coragem de aprontar e elas se deliciarem com algo que talvez também gostariam de fazer, mas eram mais envergonhadas e nada ousadas.

Bom lembrar dessas coisas em família. Sinto falta de platéia...

4 comentários:

Anônimo disse...

Tania, exatamente isso!
Essa troca, embora a Soninha "meneasse a cabeça", com certeza a fez rir e isso foi muito bom.
E hoje quando lembramos das tuas "aprontadas" rimos também, e isso é ótimo!
Algumas vezes nem foi tão bom assim prá nós, mas depois de passado o tempo, a gente vê por outro prisma, e as coisas se tornam divertidas.
e tira essa coisa do comentário ser aprovado.
Tu nem aprovou meu comentário do post anterior!

Tania Velázquez disse...

Não aprovei porque não veio comentário, guria!
Mande novamente que agora não precisa aprovação.
É que entraram aqui e deixaram cookies com vários coments automáticos.Agora tem que colocar os códigos pra entrar só gente.

Ana disse...

Ma-ra-vi-lho-so!
É bem assim! Quem é muito certinho, bitolado, careta deixa de fazer muitas coisas assim criativas, divertidas, inusitadas!
E tem duas atitudes: ama ou odeia quem é assim!
Como a minha mãe sempre foi muito exuberante, falante, espaçosa, acabei sendo mais discreta, mais contida... Mas adoro quem ousa, quem tem coragem quem se diverte com as convenções e não tá nem aí!
Conta mais destas histórias! São inspiradoras!
Adorei o modelo... Ah... Com roupas sempre tive meu estilo, independente de estar na moda, ou não. Mas nada muito extravagante...
Beijos!

Tania Velázquez disse...

Pois é, Ana. O meu filho também é mais quieto, na dele.
A namorada dele é bem diferente de mim - do tipo básica - mas os dois adoram os meus desenhos e até já escolheram alguns quadros para o apartamento. E eu não sou nada acadêmica. Muito pelo contrário. Adoro Modigliani, Picasso, Romero, Klimt e os coloridos do Miró.
No fundo, talvez eles usem esse lado para decorar a casa. Ficam menos expostos, o que também é conveniente.

Mas hoje não uso mais roupas extravagantes. Isso foi numa época, quando eu era mais jovem. Agora eu mudei um pouco...mas não dá pra dizer que sou básica.