Páginas

segunda-feira, agosto 28, 2006

Que pena! Não sobrou nem história do blog Tahthya Wiccans...

Andei pesquisando por meus achados e perdidos do armário e não encontrei nada do blog Tahthya Wiccans, Ana. Mil perdões. Tentarei colocar alguns textos aqui, mas as histórias de Lavras se perderam.

Ainda bem que a Vânia postou algumas coisas e, se ela salvou todos os comentários, lembro que costumava contar ou acrescentar alguns detalhes às histórias dela. Era como “ a vida vista sob um novo ângulo” e sempre à minha maneira debochada ou sarcástica. Aquela dela não vomitar Jesus, quando sentiu náuseas ao receber a hóstia, foi uma delas...

Andei me oferecendo para fazer um novo layout para o blog da Vânia, mas ela não respondeu e nem sei se ainda quer ficar com aquele endereço. Ela cansa das coisas. Mas se ela ainda souber a senha, prometo que fica com as estórias de nossa infância, porque adoro fazer layouts quando tenho tempo...

quarta-feira, agosto 09, 2006

Heloísa Helena diz que não existe democracia no Brasil!

08/08/2006 - 21h48
No JN, Heloísa Helena diz que não existe democracia no Brasil
Da RedaçãoEm São Paulo
A candidata do PSOL Heloísa Helena disse que não existe democracia no país durante entrevista ao Jornal Nacional, a segunda da série com os presidenciáveis. Segundo ela, a democracia não é consolidada quando "48% da riqueza nacional é apropriada por 0,005% da população".Ela também citou que a democracia não existe quando "metade dos jovens não estuda e nem trabalha" e quando "se gasta dez vezes mais com juros do que com educação".A entrevista comandada por William Bonner e Fátima Bernardes foi marcada pela discussão ideológica. Os apresentadores buscaram compreender qual é a ideologia socialista por trás do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). "O PSOL não defende um regime totalitário, mas também não defende a social-democracia. Qual modelo de país é um exemplo para o PSOL?". A candidata respondeu que não há no planeta nenhuma experiência socialista. "Seria desonestidade dizer que eu iria implantar o socialismo no país", disse. Heloísa Helena acrescentou que é uma socialista por convicção. "Aprendi o socialismo na Bíblia", falou. Indagada se é a favor da expropriação de fazendas produtivas ou improdutivas para fins de reforma agrária, como consta no programa do partido, Heloísa Helena disse que isso não vai ocorrer em um eventual governo seu. "Não posso por questão constitucional. O programa de governo não pode ser distanciado da legislação em vigor", respondeu. A candidata ainda disse que não irá acabar com o Bolsa Família, mas ele deve ser implementado junto com outros programas como o de capacitação profissional.Heloísa Helena declarou estar arrependida por ter chamado o ministro Tarso Genro de "empregadinho do Lula". "Respeito as pessoas simples e humildes como eu. Mas não aceito mentira e vigarice política", falou.Sobre outro depoimento polêmico, quando a candidata disse que os integrantes de MLST, que invadiram e depredaram a Câmara dos Deputados, erraram de endereço e deveriam ter atravessado a rua e ido ao Palácio do Planalto, Heloísa Helena falou que isso não aconteceria em seu eventual governo. "Isso só ocorre quando os governantes são incompetentes e insensíveis".A série de entrevistas do JN com presidenciáveis prossegue na quarta-feira (9/8), com Cristovam Buarque (PDT). Na quinta, será a vez do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição.
Leia também:
Heloísa Helena diz que só vai precisar do Congresso para reforma tributária

quinta-feira, julho 20, 2006

Minha prima Marion anda com complexo de sofá...

Ontem foi o aniversário de meu primo Mig e fomos todos a uma ótima pizzaria uruguaia - La pizza mia -que agora abriu em outros lugares da cidade.Lá pelas tantas, minha prima Marion começou a dizer que sua cidade deve estar vendendo tecidos de sofás para blazers ou as pessoas resolveram forrar sofás com os dois blazers que ela mandou fazer agora. Ontem ela estava com um blazer em tons de marron, dourado e verde musgo, numa estampa super chic e que já vi numa loja muito elegante vestindo os manequins em blazers, saia, outro com calça, naquelas composições de tons que fazem para chamar a atenção das cores, em tons sobre tons. Só que ela disse que já viu um sofá com a mesma estampa de seu casaco, numa loja.Então ela contou do outro blazer:chegando à sua ginecologista com um dos blazers novos, comentou com a médica que não poderia sentar em seu sofá, para não ser confundida com ele. A estampa era igual até na cor. Ela disse que riram, mas foi um pouco estranho, estar sentada num sofá vestida de sofá.Como eu tenho uma mente que voa a anos luz, mentalizei a cena e desatei a rir, porque a minha cabeça vira uma estória em quadrinhos. É...bem como as crianças...-Marion, você está com complexo de sofá? Eu estou precisando de um divã. Acho que vou sentar no seu colo e mudar de psicólogo. O que será que você não resolveu no divã? Será que você não pegou um analista de Bagé, levou uns pelegaços e agora resolveu se camuflar de sofá?-Ela está com complexo de sofazão-disse meu primo.É mesmo, falou a outra irmã Marlow. Lembra Mig, quando você nos colocou no carro e passou na frente do Sofazão, porque queríamos saber que tipo de gente frequentava aquela casa noturna?-Ah! eu lembro de ter visto na televisão, falei. Ainda existe? Onde era? Vocês sabem que ele era um ex-padre?-Claro que sim - e aí meu primo contou o que aconteceu naquela noite.A Lolô morava na mesma rua do Sofazão mas não tinha coragem de "espiar" a entrada dos casais. Então, numa noite de muita curiosidade, Mig as fez entrar em seu carro, passou bem na frente e deu uma paradinha, porque ia entrando um casal.Marion, entre estupefata e ingênua, falou:-Mas eles são normaaiiisss...Meu primo respondeu:-Mas o que você estava esperando encontrar entrando aqui? Pessoas com penas, anteninhas, rabinhos? Claro que eles são normais...E lá se foram as duas, uma olhando pra outra, boquiabertas, porque as pessoas que frequentam esses lugares são iguais a elas e não se vestem de maneira excêntrica nem usam fantasias como adornos. Elas se adornam lá dentro, para os outros se deliciarem com o que fazem, porque segundo vi na televisão há anos atrás, o ex-padre e proprietário da casa, explicou como a casa funcionava.Tem prática para todos os gostos e as pessoas podem ir só para olhar. Será? Eu não me arriscaria.

domingo, maio 28, 2006

Casal Perfeito



A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres. Isso eu disse e escrevi - e repito - em dezenas de palestras por este país afora. Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito: bom para quem gosta de desafios.
O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro - ou sem se isolar dele? O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união?
Talvez se possa começar por aí: não correr para o casamento, o namoro, o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionados ou suavizados todos os problemas - a chatice da casa dos pais, as amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinha às festas e sexo difícil e sem afeto.
Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do "enfim nunca mais só!", porque aí é que a coisa começa a ferver. Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso, o sempre à espreita, o incansável: o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos.
Passada a primeira fase de paixão (desculpem, mas ela passa, o que não significa tédio nem fim de tesão), a gente começa a amar de outro jeito. Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar. A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar, a empregada que não veio, o filho doente, a filha complicada, a mãe com Alzheimer, o pai deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor.
E a gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última gota - pode ser uma trivialíssima gota - e nos damos conta: nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim, mas também não sei o que fazer. Como a gente não desiste fácil, porque afinal somos guerreiros ou nem estaríamos mais aqui, e também porque há os filhos, os compromissos, a casa, a grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de recomeçar, reconstruir.
Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar da criatividade numa relação. O problema é que, quando se fala em criatividade numa relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é o resultado, não o meio. Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas que ouvi: "Todos os dias de nosso casamento (de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher".
Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar, pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas. Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado, como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem, de mudar de profissão.
Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização e sobretudo abertura com o outro. Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa são terrivelmente tristes e terrivelmente comuns. É difícil? É difícil. É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico, dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente, e amém.


"Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura realidade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Eu sou assim, pelo menos assim quero me imaginar: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper. Desculpem, mas preciso lhes dizer: Eu quero o delírio." Lya Luft Do livro Histórias do tempo.

quinta-feira, maio 25, 2006

O dia de uma fase zen implicante...


Um dia, só porque acordei com o humor bipolar maníaco e porque minha irmã é toda certinha, resolvi arrumar-me de forma elegante-excêntrica indiana.

Antes de ir para o banho, convidei-a para ir no shopping e pegar um cineminha. Era verão e coloquei um vestido indiano azul, um brinco indiano também azul, tornozeleira daquelas que as dançarinas usam e faz barulhinho quando se anda, um brinco em prata, na parte de cima da orelha, tipo piercing, uma argola no nariz e, para finalizar o jeito bem zen, um binje.

Quando cheguei na sala e disse um "estou pronta, vamos?", minha mãe riu e minha irmã só virou os olhos pra cima e falou um eu mereço! E lá se foi ela comigo para o shopping, de vez em quando me olhando e meneando a cabeça.
Como ela não reclamou do meu visual e o brinco tipo piercing me apertava muito a orelha, o binje me dava coceira e a argola do nariz estava incomodando, comecei a me "desfolhar" no escurinho do cinema.

Não sei por que lembrei desses episódios. Acho que porque pensei na mãe e na Vera, que riam muito do meu jeito arraza quarteirão, mas sabiam que o que eu fazia era só uma casca para tornar o mundo mais alegre e também me alegrar. Nessas fases, até criava alguma roupa, acessório diferente e no dia seguinte, via algumas adeptas fazendo o mesmo, na rua.
Eu inventava mil maneiras de me vestir. Criava moda. Qualquer pano ficava excêntrico e bonito - no meu modo de ver as coisas, pelo menos. E também fazia as coisas de um modo muito engraçado, que mesmo que elas dissessem " faz de conta que eu não te conheço", acho que gostavam quando eu aprontava e as fazia rir.

Da mesma forma, eu aprontava para alegrar suas vidas. Era uma espécie de troca. Eu ter coragem de aprontar e elas se deliciarem com algo que talvez também gostariam de fazer, mas eram mais envergonhadas e nada ousadas.

Bom lembrar dessas coisas em família. Sinto falta de platéia...