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quinta-feira, julho 20, 2006

Minha prima Marion anda com complexo de sofá...

Ontem foi o aniversário de meu primo Mig e fomos todos a uma ótima pizzaria uruguaia - La pizza mia -que agora abriu em outros lugares da cidade.Lá pelas tantas, minha prima Marion começou a dizer que sua cidade deve estar vendendo tecidos de sofás para blazers ou as pessoas resolveram forrar sofás com os dois blazers que ela mandou fazer agora. Ontem ela estava com um blazer em tons de marron, dourado e verde musgo, numa estampa super chic e que já vi numa loja muito elegante vestindo os manequins em blazers, saia, outro com calça, naquelas composições de tons que fazem para chamar a atenção das cores, em tons sobre tons. Só que ela disse que já viu um sofá com a mesma estampa de seu casaco, numa loja.Então ela contou do outro blazer:chegando à sua ginecologista com um dos blazers novos, comentou com a médica que não poderia sentar em seu sofá, para não ser confundida com ele. A estampa era igual até na cor. Ela disse que riram, mas foi um pouco estranho, estar sentada num sofá vestida de sofá.Como eu tenho uma mente que voa a anos luz, mentalizei a cena e desatei a rir, porque a minha cabeça vira uma estória em quadrinhos. É...bem como as crianças...-Marion, você está com complexo de sofá? Eu estou precisando de um divã. Acho que vou sentar no seu colo e mudar de psicólogo. O que será que você não resolveu no divã? Será que você não pegou um analista de Bagé, levou uns pelegaços e agora resolveu se camuflar de sofá?-Ela está com complexo de sofazão-disse meu primo.É mesmo, falou a outra irmã Marlow. Lembra Mig, quando você nos colocou no carro e passou na frente do Sofazão, porque queríamos saber que tipo de gente frequentava aquela casa noturna?-Ah! eu lembro de ter visto na televisão, falei. Ainda existe? Onde era? Vocês sabem que ele era um ex-padre?-Claro que sim - e aí meu primo contou o que aconteceu naquela noite.A Lolô morava na mesma rua do Sofazão mas não tinha coragem de "espiar" a entrada dos casais. Então, numa noite de muita curiosidade, Mig as fez entrar em seu carro, passou bem na frente e deu uma paradinha, porque ia entrando um casal.Marion, entre estupefata e ingênua, falou:-Mas eles são normaaiiisss...Meu primo respondeu:-Mas o que você estava esperando encontrar entrando aqui? Pessoas com penas, anteninhas, rabinhos? Claro que eles são normais...E lá se foram as duas, uma olhando pra outra, boquiabertas, porque as pessoas que frequentam esses lugares são iguais a elas e não se vestem de maneira excêntrica nem usam fantasias como adornos. Elas se adornam lá dentro, para os outros se deliciarem com o que fazem, porque segundo vi na televisão há anos atrás, o ex-padre e proprietário da casa, explicou como a casa funcionava.Tem prática para todos os gostos e as pessoas podem ir só para olhar. Será? Eu não me arriscaria.

domingo, maio 28, 2006

Casal Perfeito



A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres. Isso eu disse e escrevi - e repito - em dezenas de palestras por este país afora. Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito: bom para quem gosta de desafios.
O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano, sem se sentir isolado do parceiro - ou sem se isolar dele? O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma, com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união?
Talvez se possa começar por aí: não correr para o casamento, o namoro, o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionados ou suavizados todos os problemas - a chatice da casa dos pais, as amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinha às festas e sexo difícil e sem afeto.
Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do "enfim nunca mais só!", porque aí é que a coisa começa a ferver. Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso, o sempre à espreita, o incansável: o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos.
Passada a primeira fase de paixão (desculpem, mas ela passa, o que não significa tédio nem fim de tesão), a gente começa a amar de outro jeito. Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar. A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.
O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio. A conta a pagar, a empregada que não veio, o filho doente, a filha complicada, a mãe com Alzheimer, o pai deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor.
E a gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última gota - pode ser uma trivialíssima gota - e nos damos conta: nada mais é como era no começo.
Nada foi como eu esperava. Não sei se quero continuar assim, mas também não sei o que fazer. Como a gente não desiste fácil, porque afinal somos guerreiros ou nem estaríamos mais aqui, e também porque há os filhos, os compromissos, a casa, a grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de recomeçar, reconstruir.
Na verdade devia-se reconstruir todos os dias. Usar da criatividade numa relação. O problema é que, quando se fala em criatividade numa relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo, mas transar é o resultado, não o meio. Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas que ouvi: "Todos os dias de nosso casamento (de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher".
Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente. Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar, pensar: como anda a minha vida? Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas. Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado, como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem, de mudar de profissão.
Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização e sobretudo abertura com o outro. Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casa são terrivelmente tristes e terrivelmente comuns. É difícil? É difícil. É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heróico, dizia Hélio Pellegrino.
Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda. O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente, e amém.


"Apesar de todos os medos, escolho a ousadia. Apesar dos ferros, construo a dura realidade. Prefiro a loucura à realidade, e um par de asas tortas aos limites da comprovação e da segurança. Eu sou assim, pelo menos assim quero me imaginar: a que explode o ponto e arqueia a linha, e traça o contorno que ela mesma há de romper. Desculpem, mas preciso lhes dizer: Eu quero o delírio." Lya Luft Do livro Histórias do tempo.

quinta-feira, maio 25, 2006

O dia de uma fase zen implicante...


Um dia, só porque acordei com o humor bipolar maníaco e porque minha irmã é toda certinha, resolvi arrumar-me de forma elegante-excêntrica indiana.

Antes de ir para o banho, convidei-a para ir no shopping e pegar um cineminha. Era verão e coloquei um vestido indiano azul, um brinco indiano também azul, tornozeleira daquelas que as dançarinas usam e faz barulhinho quando se anda, um brinco em prata, na parte de cima da orelha, tipo piercing, uma argola no nariz e, para finalizar o jeito bem zen, um binje.

Quando cheguei na sala e disse um "estou pronta, vamos?", minha mãe riu e minha irmã só virou os olhos pra cima e falou um eu mereço! E lá se foi ela comigo para o shopping, de vez em quando me olhando e meneando a cabeça.
Como ela não reclamou do meu visual e o brinco tipo piercing me apertava muito a orelha, o binje me dava coceira e a argola do nariz estava incomodando, comecei a me "desfolhar" no escurinho do cinema.

Não sei por que lembrei desses episódios. Acho que porque pensei na mãe e na Vera, que riam muito do meu jeito arraza quarteirão, mas sabiam que o que eu fazia era só uma casca para tornar o mundo mais alegre e também me alegrar. Nessas fases, até criava alguma roupa, acessório diferente e no dia seguinte, via algumas adeptas fazendo o mesmo, na rua.
Eu inventava mil maneiras de me vestir. Criava moda. Qualquer pano ficava excêntrico e bonito - no meu modo de ver as coisas, pelo menos. E também fazia as coisas de um modo muito engraçado, que mesmo que elas dissessem " faz de conta que eu não te conheço", acho que gostavam quando eu aprontava e as fazia rir.

Da mesma forma, eu aprontava para alegrar suas vidas. Era uma espécie de troca. Eu ter coragem de aprontar e elas se deliciarem com algo que talvez também gostariam de fazer, mas eram mais envergonhadas e nada ousadas.

Bom lembrar dessas coisas em família. Sinto falta de platéia...

terça-feira, maio 23, 2006

Este post é em homenagem à Soninha, minha hermana...


Eu sou gremista. Sou porque quando era pequena, a Ana Lúcia Gómez Corrêa me deu uma pedrinha de porcelana que era o máximo pra jogar amarelinha. Na verdade, eu fui comprada, claro. Ela me subornou e eu aceitei, porque aquele caquinho era o meu sonho de consumo do momento.
Quando cresci, continuei gremista, porque tinha dado minha palavra e era a única que diferia do time da família. Depois me agreguei aos primos Mig, Lolô, Zé, Míriam e Marion, que eram todos mosqueteiros. Mas nunca gostei de futebol e nem entendo nada de jogo. Aliás, eu só sei quando é gol, porque a bola entra na trave. E sei quando é penalty, quando alguns jogadores cruzam as mãos no saco.
Nunca fui num estádio de futebol-só vi pela televisão e por fotos. Isso tudo pra dizer que minha irmã, colorada "vermelha", deve ter jogado muita pedra na cruz, porque arrumou um namorado gremista "roxo".
Um dia eu estava lá em Porto Alegre e tinha jogo. Pela primeira vez na vida, tive vontade de ir junto com eles, porque estaria acompanhada por um gremista como eu. Mas minha irmã disse que não me levaria num gre-nal, dizendo que sou "muito fiasquenta e desligada", iria fazer bagunça na hora do gol (olha só...ela já estava conferindo ao Grêmio o poder que ele tem) e apanharia da torcida do Colorado - porque ela tinha comprado ingressos na torcida dela.
Confesso que fiquei meio chateada, não por não ter conhecido o estádio do timão, mas porque ela falou:
-O José Carlos respeita quando está na torcida do Colorado, mas tu...e não terminou a frase, me olhando com cara de generala.
-Dãããã...-foi só esse o meu protesto. Mas só porque eu não estava nem aí pra futebol. Era mais um dos pedidos sem noção...
Um pedido daqueles que eu faço, quando não tenho nada pra pedir e pra não esquecer que sempre posso pedir e ganhar.
Eu não sou turca mas tinha amigo que era...
Turgo ensina muito o zamigos!

quarta-feira, maio 17, 2006



Agora todos podem fazer denúncias contra abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Até mesmo as crianças, que antes eram intimidadas, chantageadas ou ameaçadas pelo abusador, podem fazer a denúncia, sem medo de serem mais vitimizadas.
Quando a denúncia é feita, acaba o abuso; acaba o terror.
Que bom que hoje temos o Conselho Tutelar! Que bom que hoje temos o Ministério Público, as Delegacias e o Juizado da Infância e da Juventude que, unidos, podem salvar as vítimas de pedófilos - pessoas doentes, que não conseguem se satisfazer sexualmente com adultos.
Na verdade, eles não têm um desempenho normal da sexualidade e procuram a inocência e a fragilidade das crianças ou adolescentes, para que seu poder de autoridade e força se faça notado, submetendo as vítimas a seus desejos perversos e sem questionamentos.
A violência sexual contra crianças e adolescentes muitas vezes acontece próximo de todos nós. O abuso e a exploração sexual de menores são crimes graves que comprometem o futuro da vítima. A omissão da sociedade gera grande dificuldade na identificação real do problema.
O que é o abuso sexual?
Abuso sexual é o uso da criança ou adolescente, menino ou menina, para gratificação sexual de um adulto ou adolescente, seja por meio de manipulação, toques, participações em jogos sexuais, exibicionismo, pornografia, prática de sexo oral, anal e até o estupro propriamente dito.
Exploração sexual de crianças e adolescentes é a prática do abuso sexual com fins comerciais, seja em espécie, serviço ou favores.
Ex: pornografia infantil e turismo sexual.
Quem é o agressor?
Na maioria dos casos, o abuso se inicia dentro de casa, por membros da mesma família ou pessoas que mantém um vínculo de afetividade, confiança e dependência com a vítima.
Onde encaminhar
Disque Denúncia Nacional: 0800 990500
Disque Denúncia Estadual: 181
Conselho Tutelar
Ministério Público
Delegacias
Juizado da Infância e Juventude.

Já vimos que às vezes existe o abuso sexual sem que a vítima - quando criança, geralmente- entenda o que está acontecendo, principalmente quando o abusador é uma pessoa querida - como acontece na maioria das vezes.
Isto acontece porque a criança não consegue entender como uma pessoa que ela ama, e diz amá-la, poderia lhe fazer algum mal. Uma observação importante: pode haver abuso sexual SEM VIOLÊNCIA FÍSICA, SEM SENTIR DOR.
O Abuso Sexual às vezes acontece disfarçado de carinho.

Quando o abuso é com violência física é mais fácil de se identificar.
Um exame médico confirma facilmente.
Abaixo, damos alguns exemplos de abuso:
1. Maria, 5 anos, foi passar a tarde com o padrinho, e lá ele a colocou no sofá, tirou sua calcinha, ficou passando a mão no seu órgão genital, e depois o pênis pelo mesmo local.
2. Juliana, 15 anos, vítima de violência sexual parte do próprio pai que encontrava-se embriagado no momento do ato.
3. Severina e Francisca, 9 e 11 anos. Segundo as crianças, o tio alisada as coxas delas, bumbum, vagina, lambia as pernas, coxas, bumbum. Ele dizia que não podiam contar para ninguém, pois elas apanhariam. Até que um dia, a tia o pegou nessa prática.
4. Cristina e Cristiana, 6 e 5 anos. A empregada que alisava seus órgãos sexuais, até doer.
5. João, 3 anos. A empregada ficava pegando no seu pênis, esfregava, chegando a ferir.
6. Severino, 6 anos. O padrasto quando estava só com ele, o colocava na cama, e botava o dedo no ânus. Doía.
7. Márcia, 8 anos. O pai quando estava só com ela, enfiava o dedo no seu ânus, e dizia que não era para contar para a mamãe, que era um segredo só deles.Ele a beijava em todo o corpo, também.
8. Joana, 6 anos. Quando sua mãe saía para trabalhar, seu padrasto costumava pedir para ela pegar em seus órgãos sexuais, acariciando-o, mexendo, até que "saia uma coisa branca" de dentro dele. A criança fazia isto, como um segredo só deles.
Se você se passa por uma dessas situações, percebe que está sendo abusado sexualmente, procure sua Professora, seu Professor ou a Psicóloga da Escola e converse sobre o que ocorre. Eles poderão lhe ajudar.
É hora de falar, de dar um basta.

GRITE.
Créditos:
http://www.sds.pe.gov.br/
Folder passeata do dia 17/05/06/CTBA